Um olhar sobre a exposição da fotógrafa Nan Goldin.

Exposição no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. 03/04/2012.

O MAM é um museu sem preconceito e julgamento à cerca do que é ARTE, por isso o local da exposição de Nan Goldin.
Pelos corredores e extensas galerias passamos por quadro, objetos, móveis, pequenas coisas onde tudo se torna arte.
A exposição de fotografias de Nan tem motivos, mostras, filtros, pessoas. Os quadros que iniciam levemente a exposição mostram momentos como o pôr do sol, uma areia de praia, uma pedra ou monumento, aos meus olhos ela utiliza filtros, ‘nuvens’ para criar uma identidade pessoal em cada foto, embaçando imagens que gostaríamos de ver na integra, e revelando de forma bem colorida e nítida coisas que talvez não sejam normalmente atraentes, como, por exemplo, o Cristo Redentor e uma tumba. A sempre uma relação de cor, leveza x peso, escolha, nitidez x desfoque, realidade e ao mesmo tempo não há escolha alguma, apenas um ‘clique’ naquilo que Nan está vivendo e vendo naquele momento.
Há uma imensa mudança quando entramos nas salas de slides, a relação das fotos com os fotografados são de total entrega, o ser humano assumindo seu jeito, sua identidade, seus amores, seus vícios. Nem sempre são fotos belas ou amáveis de um cotidiano que julgamos normal, é como se em cada sala de slide o espectador fosse convidado a entender, ver, e ver de outra forma, mudar, se despir gradativamente de pré-conceitos, de suas ‘’fôrmas’’ sociais, da visão homem/mulher, amor/sexo, trabalho, drogas, locais. Talvez sejam feitas sem motivo ou relação de finalidade, mas apenas fotos da realidade, ciclo pessoal e tabu da fotógrafa.
“Não escolho as pessoas propositadamente para fotografá-las; tiro fotos diretamente da minha própria vida. Estas fotografias aparecem como relações pessoais, não como uma observação”.
Para a visão de quem aprecia a exposição é como ver o verdadeiro ‘humano’ por trás de tudo, a sociedade com seus vícios e virtudes, ela abre os olhos para pensarmos como somos pouco racionais e controláveis diante desses vícios, como somos frágeis ou fortes, como somos iguais ou diferentes diante das situações. Particularmente as fotos não são bonitas ou mesmo interessantes, mas te fazem pensar, e isso te prende a continuar vendo e pensando, vendo e pensando.. Sempre imaginando o que virá à frente, quem são aquelas pessoas tão reais, o porquê dos fatos, o porquê de serem tão normais e anormais ao mesmo tempo, muitas vezes chocantes, a diferente realidade de cada um, acredito que ‘ai’ está o Ponto em que a exposição pretende alcançar, apresentar um natural dês-natural, fazer o expectador questionar e ser questionado, não só na visão da fotografia e do cotidiano como arte, mas de si mesmo. Ver todas aquelas fotos é como revirar o ‘’Orkut’ sem censuras, encontrar fotos de amor, de entrega, de momentos bons, ruins, despir sem sobreaviso alguém em sua rotina, mergulhar nesses cotidianos semelhantes ou não ao nosso, ver momentos que não te pertencem, mas pertencem a pessoas tão reais como você, saber que ali não estão modelos, atores, farsas, mas pessoas em suas vidas é como se ver e ser visto, julgar e ser julgado, entender ou complicar ainda mais a nossa visão das coisas, do mundo, da sociedade em que vivemos, é um questionamento sem fim sobre si mesmo, sobre as fotos, sobre a fotógrafa, sobre o que é arte, sobre tudo.

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